home

Determinação de Tamanho de Partículas em Dispersões Concentradas In-situ

(clique aqui para ver em pdf)

1 Introdução

Um dos parâmetros mais importantes para a caracterização de sistemas dispersos como emulsões, dispersões e suspensões é o tamanho das partículas e sua distribuição. Existem muitas técnicas analíticas para este fim [1]. Uma grande desvantagem da maioria destas técnicas, por exemplo difração a Laser ou eletroforese, é a necessidade de diluir a amostra antes da análise. Isto força o analista de fazer os testes no laboratório, off-line. Ele ainda corre o risco de deslocar dramaticamente o equilíbrio físico-químico da dispersão. No outro lado, agregação ou coalescência pode alterar significativamente o tamanho efetivo da partícula no sistema. A única saída nestes casos é recorrer a um método in-line, capaz de determinar o tamanho de partículas em concentrações altas in-situ. Figura 1 compara as etapas necessárias em técnicas convencionais off-line com aquelas num método in-situ (in-line). O diagrama mostra que o método in-line é o mais eficiente.

Figura 1: Comparativo das diferentes etapas necessárias para análise de partículas
(A) método convencional, off line
(B) método in situ, off line
(C) método in situ, in line
 


Com o objetivo de caracterizar tamanho de partículas de emulsões estabilisadas com polímeros adequados, várias técnicas foram desenvolvidas durante as duas últimas décadas, por exemplo a „Scanning Laser Microscopy (SLM)“, que apresenta várias restrições a respeito da faixa de tamanho das partículas e resolução [2,3]. Em cooperação entre a Cognis e a Meßtechnik Schwartz, Duesseldorf, Alemanha, foi desenvolvida recentemente uma técnica completamente nova, a 3D ORM (Optical Reflectance Measurement, Medida da Reflectância Ótica) com o objetivo de promover soluções para os desafios descritos encima, especialmente na área de emulsões cosméticas e farmacêuticas.

2 Princípio de Operação


O set-up de um equipamento 3D ORM é ilustrado na figura 2. Os componentes principais são sensor, unidade de processamento de dados, e um computador com software MTS/LT para análise de dados.

Figura 2: Diagrama esquemático dos components principais de equipamentos 3D ORM [4] e foto de um sensor instalado em linha.




O princípio básico é muito simples e pode ser conferido na figura 3. A fonte de luz é uma LED a Laser, incorporada na unidade de processamento de dados. O comprimento de onda do Laser pode variar dependendo da aplicação, por exemplo um Laser com 780 nm para análise de emulsões com partículas a partir de 100nm e concentrações da fase dispersa até 80%.
A luz é transmitida através de fibra ótica. No sensor, o feixe passa uma lente (colimador), um prisma, uma lente de foco e duas janelas de safiro. Durante a operação, a lente focal gira excentricamente, o que deixa o feixe de Laser girar e passar o prisma em posições diferentes. O foco do Laser assim “escanéia” a amostra em forma tri-dimensional, o que gerou o nome 3D ORM para esta tecnologia.


Figura 3: Representação esquemática do princípio de funcionamento da tecnologia 3D ORM. O sistema ótico escanéia a amostra na frente do sensor em forma orbital.
 

Se o foco do Laser encontra uma partícula, luz é refletida pela amostra e capturada pelo sistema dentro do equipamento. O detector transforma a luz refletida em sinal elétrico que pode ser processado depois. Figura 4 mostra os impulsos elétricos gerados pelo detector e sua relação a partículas escaneados pelo Laser.

Figura 4: Diagrama esquemático da relação entre as partículas escaneados, o sinal primário correspondente e o sinal filtrado (tempo de vôo do feixe de luz). O sinal filtrado é proporcional do comprimento da partícula  (“chord length”).
 




Numa primeira aproximação, o comprimento da partícula lc no lugar onde o feixe de Laser passa (“arc length”) é igual a
 

onde delta tS é o tempo de vôo do feixe de luz para um pulso. O parâmetro vS é a velocidade de movimentação do ponto de foco.
Esta relação simples não contempla o formato da partícula e por isso contêm um erro sistemático. Figura 5 ilustra a relação entre lc (“cord length”), lA (comprimento do arco, no perímetro da partícula  (“arc length”)) e o diâmetro do círculo escaneado pela sonda.

Figura 5: Representação esquemática do arco (“arc length”) e do comprimento (“chord length”). 
 


Em geral, lC e lA são relacionados na seguinte forma:

 

O sinal primário do detector é amplificado e transmitido a um sistema de filtros eletrônicos, onde é separado em pulsos bons e ruins. Critérios para esta divisão incluem a simetria do pulso e a inclinação dos flancos do sinal. Um conjunto de 250 destes sinais (proporcionais do comprimento de um determinado corte da partícula (chord length) gera a informação necessária para determinar tamanho e formato tridimensional da partícula.


A equação de correlação geral é a equação integral de FREDHOLM:
 

onde:
h0 é a distribuição numérica de comprimentos lc,
q0 é a distribuição numérica de partículas em função do tamanho,
p descreve a probabilidade para medir um comprimento lc, quando se escanea uma partícula de tamanho lc,max,
lC é o comprimento do corte da partícula (“chord length”),
lc,max é o comprimento máximo do corte de uma partícula,
lC,MAX é o comprimento máximo do corte da maior partícula.

Existem várias aproximações numéricas para resolver esta equação. A mais recente versão do software MTS/ LT usa o método CHAHINE para extrair a distribuição de tamanho de partículas. Para informações mais detalhadas sobre o tratamento matemático complexo veja ref. [5].


4 Faixa de tamanho das partículas e resolução

O Princípio 3D ORM descrito aqui é utilizado nos equipamentos da MTS, Alemanha, e mede partículas numa faixa de 100 nm até alguns milímetros. Para otimizar a resolução, equipamentos para faixas mais restritas são utilizados. Para emulsões farmacêuticas por exemplo, pode-se usar uma faixa de 0.1 até 125m, dividida em 1024 bits (modelos ECA 817 ou LabScan 2007).

Figura 6: Sensor de tecnologia 3D ORM instalado diretamente num homogeneizador de escala piloto.

 



5 Exemplos de Aplicações

Monitoramento do tamanho de partículas em emulsões o/w de alta concentração [6]
As figuras 7 mostram resultados para a distribuição de tamanho de partículas para emulsões de alta concentração. A fase aquosa contêm 2.5% de HPMC. Imagens de microscopia eletrônica de transmissão (TEM) foram incluídas para visualização da distribuição de tamanho de partículas. As amostras eram parcialmente floculadas.

Figura 7: Distribuição volumétrica de tamanho e micrografias TEM para emulsões óleo/água de 20 e 60% de óleo. Escala na foto: 5µm.

 

Figura 8 compara os resultados da análise de partículas logo depois da preparação e durante um tempo de estocagem. A aparência macroscópica e a consistência não mudou no período de monitoramento. O tamanho de partículas mudou pouco: no caso da emulsão de 20%, o “Ostwald ripening” aumenta o tamanho médio das partículas nos primeiros 6 meses um pouco. Para a emulsão de 60% de óleo, a coalescência de gotas leva ao desenvolvimento do segundo pico na distribuição. A emulsão não é estável. 

Figura 8: Tamanho de partículas de emulsões logo depois da preparação e depois de 6, resp. 27 meses de estocagem.
(A) emulsão com 20 % óleo, (B) emulsão com 60 % óleo.


(A)


(B)


Influência da preparação de emulsões

A temperatura durante a emulsifação é um dos fatores que podem influenciar significativamente o tamanho das partículas e então a consistência da emulsão. Figura 9 mostra um exemplo de uma emulsão estabilizada com etilcelulose. Emulsificação à 30° C produziu sistemas líquidos, à 15° C resultaram cremes semi-sólidos. A análise revela uma distribuição estreita de tamanho de partículas no caso da loção, e uma distribuição muito larga no caso do creme. O método ORM consegue determinar em forma quantitativa, o que é observado qualitativamente numa micrografia.



Figura 9: Distribuição volumétrica de uma loção w/o e um crème o/w com composição idêntica, más preparados a temperaturas diferentes (30 ou 15°C, resp.).
 


Outras aplicações

Diversas outras aplicações já estão sendo realizadas com o método ORM. A influência da composição em emulsões pode ser acompanhado. Os resultados mostram mais proximidade com observações independentes do que análises convencionais de Difração de Laser em sistema diluídos [7]. Suspensões ou dispersões podem ser analisadas da mesma forma com o método tri-dimensional ORM.
6 Conclusões
A tecnologia 3D ORM foi principalmente desenvolvida para medidas in situ. Este aspecto não pode ser comparado com outras tecnologias, que não podem ser aplicadas em linha. A técnologia 3D ORM também permite medidas off line. A comparação de resultados com 3D ORM obtidos no laboratório com métodos como microscopia eletrônica de transmissão (TEM) e Difração de Laser mostram a equipotência desta tecnologia. Os resultados são confiáveis e reprodutivos para emulsões com partículas na faixa de pelo menos 0.4 até 40 µm  e até concentrações de 60 % da fase interna. Para sistemas mais concentrados é possível criar uma “impressão digital” representativa da amostra. Em todos os casos, nenhuma preparação da amostra é necessária. Isto é uma vantagem única da tecnologia 3D ORM, porque reduz o trabalho de preparação e – mais importante – evita a aparência de artefatos quando sistemas sensitivos a diluição são analisados: o caso de muitas emulsões, e principalmente de suspensões.


7 Referências


[1] Washington, C., Particle size analysis in pharmaceutics and other industries, Ellis Horwood London, 1992
[2] Daniels, R., Barta, A., Erfahrungen beim Einsatz der in situ-Partikelmessung sowie der Messung der elektrischen Leitfähigkeit bei der Rezepturoptimierung von Emulsionen, Chemie-Anlagen + Verfahren 8/93, 62 - 66, 1993
[3] Daniels, R., Barta, A., Herstellung, Charakterisierung und Stabilitätsprüfung von O/W-Emulsionen mit Methylhydroxypropylcellulose als Emulgator, Pharm. Ztg. Wiss. 4, 177 - 183 1991
[4] Lenzing, M; Handbook of 3D ORM Technology, Meßtechnik Schwartz, D-Düsseldorf, 2002
[5] Twomey, S., Introduction to the mathematics of inversion in remote sensing and indirect measurement, Elsevier Scientific Publishing Amsterdam, 1977
[6] Rimpler, S., Daniels, R., In situ particle sizing in highly concentrated oil-in-water emulsions, Pharmaceutical Technology Europe .8(9), 72 - 80, 1996
[7] Wollenweber C., Einfluss von Ethanol auf Methylhydroxypropylcellulose stabilisierte Öl-in-Wasser Emulsionen. Dissertation Technische Universität Braunschweig 2000. http://opus.tu-bs.de/opus/volltexte/2000/91

Autor


Prof. Dr. Rolf Daniels
Prof. Dr. Rolf Daniels obteve o seu Ph.D na área farmacêutica. Antes de seguir a carreira acadêmica, trabalhou para Pfizer, no P&D farmacêutico. Hoje é Professor na Universidade Técnica de Braunschweig, Alemanha, no Instituto de Tecnologia Farmacêutica. É diretor do Departamento de Dermo-Cosmética, da Sociedade de Dermofarmacêutica.

Esta contribuição foi traduzida e resumida por Dr. Hans-Michael Petri, Reoterm Instrumentos Científicos, Taboão da Serra – SP. Para receber mais informações, envie e-mail a info@reoterm.com.br  ou hans@reoterm.com.br

[[

Veja abaixo notícias relacionadas:

Seminário de Viscosimetria e Reometria
Grupo Precitech

Máquina Lavadora de Vidrarias GW 2050 da Smeg
Reômetro de Oscilação Haake Mars

Dispositivo Transesterificação Ultrassônica de Óleo para Biodiesel

Determinação de Tamanho de Partículas em Dispersões Concentradas In-situ
Medidas Óticas 3D de Superfícies de Pele In-Vivo
Novo reômetro modular e expansão da gama de acessórios



]]